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17 December 2010

Comida

Depois de uns shish kebabs no Egipto (espetada de borrego) acompanhado com o maravilhoso pão egípcio e do mezze na Jordânia, veio o conflito entre árabes e judeus. A escolha gastronómica entre judeus e árabes e’ muito mais difícil que a escolha politica. O húmus de Jerusalém e’ magistral (cheio de azeite de óptima qualidade), o húmus em Aleppo vem acompanhado com um pão de pimenta quente inesquecível. O falafel em Damascus custa menos 10 vezes que em TelAviv mas não fica atrás em nada! Os standards Turcos passaram com gozlemes, durums e afins mas o que ficou da Turquia foi o gosto do chá de maca durante as noites de shisha.

No Laos come-se sopa de noodles ou arroz pegajoso (foto em baixo a' esquerda). O sabor convence sempre porque Laos rima com cebolinho! A China e’ um mundo e a sua comida também com mil variedades de dumplings, noodles, arrozes, agridoces e hot pots. No final lembro-me dos cogumelos exóticos a ferver no hot pot e dos noodles e dumplings de legumes feitos no momento algures no meio da montanha (foto em baixo a' direita). Em Macau, a sopa de vaca e ostras rivalizou com o omnipresente conguee em Hong Kong (sopa branca na foto a' esquerda) acompanhada por uns grelos com molho doce divinais).




 

Para não me alongar muito deixo só mais duas entradas que estão bem no topo dos meus pratos favoritos (só o Ceviche Peruano e’ indestronável). No Japão, arroz branco com ovos crus/escalfados com umas tiras de carne grelhada por cima (isto para não falar do okonomiyaki, a pizza japonesa). No México, tacos chori-queso: tacos com chouriço em queijo derretido com cebola e guacamole, o melhor prato do mundo!
Que fome!


E como a expressao "o melhor prato do mundo" me leva para mil lugares diferentes, deixo mais um, a Sopa Marinera caseira de Sambo Creek, nas Honduras (a' direita).


Honduras? E pequenos almocos? Quesadillas de feijao, queijo de cabra e ovo? Vamos la'?


22 March 2010

Hammam em Amman

Amman e' uma seca dizem todos os viajantes. Passei dois dias a tentar encontrar o seu encanto. E' a capital da Jordânia, e' uma cidade rica e pacifica. E', nota-se, uma cidade de segundo mundo, mas com muitos traços de grande desenvolvimento, por exemplo, o quarteirão residencial mais rico.
Lembrei-me em Amman do tipo Egípcio de 30 anos que se ia casar em dois meses e me dizia: "My wife is just for me. I cover it." e sorriu. O "it" não deve ter sido só um erro de inglês. A coisificacao da mulher...
Foi também em Amman que alguém me perguntou: "Do you speak Portuguese?" e eu respondi "No, I speak Brasilian". Fiquei eu mais confuso do que quem ouviu.
Foi em Amman que comi num restaurante com sala de famílias (que inclui grupos so de mulheres ou famílias) e outra sala para machos (grupos de homens). Aqui comi o milionésimo shish tawook. No restaurante, o estilo fez-me viajar ate a' Índia, semelhantes os copos de metal, os pickles, o comer com as mãos, os muitos empregados. It's a middle level second-world restaurant.
No hostel estavam 10 japoneses e eu. Uma rapariga Japonesa, um filosofo Japonês que falava de Heidegger, e um pintor que me mostrou as suas obras de viagem! Oleo sobre tela em viagem! Um trompete colorido e muitos outros. Um artista japonês que procura o profissionalismo.
Foi em Amman que fui ao primeiro Hammam: o banho turco não dava para entrar de Tao quente, o body scrub foi feito por um Egipcio, a massagem por um Iraquiano, o jacuzzi queimava e so 15minutos depois e' que deu para entrar. E com tanto relaxamento só ouvia a voz do gerente no imperativo, do this, do that, now go there, now sit down, now stand up... e havia um sumo não sei de que' que purificava... ah, Hammam em Amman.
Depois do Hammam foi tempo da zona dos bares modernos onde comi pizza e ouvi estudantes falarem inglês. Havia também em Amman um Escocês de ferias na Jordânia que vive numa caravana na Holanda, há 30 anos. E há o Alemão, Wolfgang, casado com uma Peruana e com um filho de 16 anos. Tem 53 anos e diz que já foi a quase todos os países do mundo. Ah, ja' foi 20 vezes a Cuba...
Tambem houve mezze, cerveja e grandes-bretoes viajantes (como em todos os cantos do mundo):
amman

Karak (Jordan)

Depois de Petra, para norte, comecam neste Medio Oriente as ruinas romanas e os castelos das cruzadas. Vieram eles difundir a cristandade! E vieram eles matar Arabes… conquistar. Territorialidades. Como, dizem os Oesteiros (Westerners), fazem os Mulculmanos em tempos modernos. Mas pobres mulculmanos nunca poderiam encetar tamanha sangridade. Do cimo do monte de quartos completos em castelo ve-se a Arabia, os Mouros, o Outro. E eu bem la’ em baixo junto ao exercito de Alla.

Arab Bird

Dead Sea (Jordan)

No mar negro foi tempo de voar, nao, de fultuar. Os 400 metros abaixo da linha dos outros 7 mares aquecem a agua que vem da montanha e tras o sal quente. O rio que chega ao mar e’ fervente. E do quente podemos saltar para o sal um pouco mais frio. Mas ai comeca o voo. Ha algo de novo ali. Como se uma variavel desta realidade se alterasse so ali. Como se os pes ja nao pousassem no chao ou como se a cabeca fosse afinal nas pernas. Uma tontura agradavel, um livro e uma foto. A concentracao de sal e’ incrivel e podemos nadar com meio corpo fora de agua. De volta a’ agua quente e doce do ribeiro voltamos a sentir que outro mundo e’ possivel como so em Varanasi na India. Outras realidades existem aqui tao perto. Outras realidades ainda poderiam realmente existir, ou ser percepcoes em nos.
Como se nao bastasse o sal e a agua quente, alia o lado dizem e’ o West Bank. A Palestina dizem! Mas deixemos esse assunto para daqui a pouco. Aqui cheguei com dois Franceses, um Alemao e duas Dinamarquesas. Seis ou sete jovens rapazes que estavam na estrada (a 200 metros da borda de agua) desceram sempre atra’s de nos ate a’ agua. Ali se sentaram e fumaram cigarros e sorriam ate’. Perto. Ai as meninas comecam a preparar-se para entrar na agua e, de repente, esses 8 rapazes hipnotizados miravam, o West Bank desfocado! De Palestina em pano de fundo estes rapazes desfrutavam os bikinis dinamarqueses e nao havia um segundo de distraccao, olhar fixo, alunos atentos, felizes! Nos tambem olhamos as dinamarquesas, e’ certo, eram giras ate’, mas estes alunos da Jordania eram muito aplicados. Queriam aprender a licao do bikini! E assim foi, observados pelos alunos do bikini la lemos o jornal boiando.

Dead Sea

Moses Mount (Jordan)

Dois mil metros acima do mar morto havia um mosteiro e ate uma paisagem. E ao fundo, espacos biblicos: Belem e Jerusalem, Jerico, o local do baptismo de Jesus e muito mais. Mas ali onde eu estava, esteve um outro Moises. Ah Moises, vi eu com ele aquela gente dali mesmo. E ao fundo a terra prometida.

Mosaic (Jordan)

21 March 2010

ha ... um post

Nao ha bloco de notas, desapareceu. Nao ha computador com rascunhos do inicio do ano sobre Bergson e Deleuze. Nao ha preocupacoes de vida diaria. Nao ha um destino.
Nao ha o ser, desapareceu.


Havia um ponto de entrada, as ferias no Egipto, o descanso. Havia a viagem e o turismo em Petra, o arranque. Havia depois uma aventura em Jerusalem, a confirmacao. Mas havia depois um grande salto para a China e os States com iroes e istoes no meio. Havia um pesadelo de visas e dolares. Havia que ter presente o plano de chegada, o plano de consistencia que nunca era o final mas que se consolidaria em historia, em memoria. Havia o plano do livro ainda, a leitura revertida em escrita reorganizada.

Ha so este roteiro semi-turistico e muita gente que sabe onde vai e o que quer. Ha o dinheiro que tenho de ter para food, water and shelter. Ha o Mat, 25 anos, que vive num camiao reconstruido por ele para ser uma casa com porta e janelas e o Scotch que vive ha 30 anos numa caravana algures na holanda. Ha caravanas portanto. Ha caravanas de camelos que chegam a Petra. Ha anfiteatros romanos gigantes aqui em Amman na Jordania. Ha conversas em frances. Ha, portanto, encenacao. E ha, depois, projectos, de viagem, de vida, de amor, de riso, de abracos, de trabalho, de escrita.
Caravanas encenadas por projectos.

Havera sempre seres humanos, no dia a dia, que fultuam entre mulheres e dinheiro aqui e havera sempre esta experiencia, esta memoria curto prazo do "que vient de se passer". Mas como eh que eh na memoria que apareco eu perante mim? Foucault: Como eh que, sendo que eh so nisto que _vejo (e chamo vidamundo)_ que me vejo, eu me consigo ver e ser sujeito? Bergson: Como eh que, sendo que eh so nisto em que _pareco agir_ que me vejo, eu me consigo ver e ser sujeito? E por tras do sujeito sempre um projecto de sobrevivencia.

E pela frente (o passado) do sujeito, - nao ha/havia/ha/havera sempre - o tempo (verbal).

Petra (Jordan)

A Petra nao ia eu, ahahah. A natureza rocha monte e’ impressionante. E nao sao os monumentos que ha por todo o lado que mexem comigo, e’ a natureza. O vale, a rocha quebrada na vertical. Os tuneis, o sol e o vento.
Bedouin

Ha ate’ um canyon so para mim e um salto de 2 metros que penso nao conseguir fazer. E um passo por debaixo de uma rocha prestes a cair, uma tonelada de medo e risco. Mas o caminho segue como numa pista de bobsleigh desenhada na rocha de paredes com 100metros. Caminha-se por um tunel ou por um canyon ou por um ribeiro e ja seria suficiente, quando, no virar da esquina uma igreja cravada na rocha, e depois, mais adiante, outra e outra e depois um templo romano e sem sentir ouvem-se os cavalos a relinchar na rocha e camelos (e) beduinos. Por todo lado a fusao perfeita entre paisagem monumento. Uma clara maravilha de caravanas de comercio. No fim do topo a tenda vende cha beduino e ali mesmo tocam oud e cantam e a paisagem ouve-se, vento na rocha. Altitude sonora.

Tea Treasure (Petra)

Na descida vem o Michel, a Veronica e o Joao. Dois irmaos canadianos, ela ensina ingles na Tailandia, ele tem um cargo de gestao em Israel, 25 anos. O Joao Pereira vem do Brasil e e’ diplomata, especialista em protocolo. Prepara em viagem a viagem do presidente Lula a’ Jordania. E’ muito simpatico e fala o melhor ingles que ja vi falar para alguem que nunca viveu fora do Brasil. Ha noite houve Indiana Jones no hostel. Foi aqui que Indiana encontrou o Santo Graal.

Petra

Lost

Na america do sul roubaram-me as sandalias e depois algum dinheiro. aqui comeco ao contrario.

Primeiro deixei o gorro no autocarro, no dia seguinte deixei o moleskine em petra algures num miradouro. com o meu BI, copia do passaporte e duas gordas notas de 50eur...

17 March 2010

Wadi Rum (Jordan)

Wadi Rum

No Wadi Rum a distancia aumenta e a rocha cresce rebentada da areia. Ha mais areia do que rocha? No Wadi Rum, um deserto com grandes montanhas rochosas em volta, vivem os beduinos. Os beduinos sao os nomadas do deserto, usam camelos para se deslocarem, tendas feitas de uma especie de tapetes para dormirem, pao enfarinhado e achatado e redondo para comerem, cha de camomila e menta para beberem, tunicas brancas para vestir, lencos vermelhos e brancos aos quadrados na cabeca e o islao para filosofar. Sim, o islao e’ a religiao mais filosofica… um muculmano esta sempre pronto para filosofar. A cristandade e’ de uma moralidade mais simples, o muculmano esta pronto para discutir o que e’ ser um bom ou mau muculmano, o que se deve fazer para respeitar Alla. Maome ouviu de Alla o Quran no deserto e e’ no deserto que se fala de Alla. E’ na sobrevivencia dura e quente que o homem, aqui, encontra Deus e suas regras.

Deep Wadi Rum

O taxi pa’ra e estamos no deserto, a tarde e’ quente. Passamos o edificio da entrada no Wadi Rum e, logo ali ao lado, os sete pilares da sabedoria de Lawrence. Nao sao bem sete e nem sequer e’ o mais interessante isto que nos trouxe aqui. Os sete pilares sao o fim de uma cadeia gigantesca de montanhas rochosas ao lado esquerdo. Do outro lado outra cadeia rochosa. Unidas pela areia formam um corredor gigante, 1km de areia plana entre duas paredes de 1000m de altura. Em frente, bem la’ ao fundo uma rocha ou montanha que forma um trapezio quase perfeito. Pequeno. Ao fundo. Foram 7kms ate’ a’ vila Rum entre as paredes. A tenda na vila espetada na areia era da cor da areia e ao despertar, a cabeca, fora da tenda, via as paredes erguidas areia acima. E o sol a rebentar. Ao lado, uma tenda beduina com almofadas sentadas no chao para o cha’ do pequeno almoco.
A Estrada de asfalto acaba ali e deixa ficar so a areia, a rocha, e o sol, as botas e os passos. Ao fundo ainda a rocha, o mesmo trapezio pequeno ainda apesar dos 7kms. No deserto o olhar ao fundo e ao alto esbarra na distancia e perde-se. A rocha esta ja ali bem perto. Duas horas depois, bem perto. 4 horas de borracha na areia, lenco na cabeca e camelos, a rocha? Ali bem perto. E ainda, mais 20 minutos. A distancia e’ curta no olhar e longa no caminhar. A paisagem grandiosa permite a pequenez! Nos dominamos o nosso mundo e centramo-nos sempre no dobrar do joelho passante ou no esfregar da mao na areia e no fundo, bem la, nao ha… accao. Um objecto a 10kms ou 20kms tem a mesma importancia para nos. Mas aqui, tao longe e sem calculo de visao possivel, erramos sempre e sentimos a dimensao, as dimensoes, a pequenez, a proximidade, a nao accao, ate a’ inexistencia da rocha la ao fundo, oasis de miragem. Subi a duna e rebolei duna a baixo. O trapezio quase perto. As rochas do trapezio la estavam debaixo de mim, 20kms talvez desde a entrada a pe. E estavam, diziam, derretidas como Gaudi as teria feito. Derretidas pelo sol, moldadas pelos ventos. Arabicas talvez tambem as gravuras antigas na rocha e o canyon que por ali se rasgara. E agua ate’.
Les fruz, Jon et Ben sont du pays basque. Benoit dix tout le temp: “mais c’est beaux, ah?”. On parle le Francais au Wadi Rum.
Os beduinos usavam camelos. Agora usam jeeps. Mas continuam a usar as facas curvadas, punhal com cristais. E o lenco vermelho e branco e tunica. Agora usam colgate. “Voces lavam muitas vezes os dentes, nos nunca lavamos.” E muito sorridente termina “E’ que hoje lavei os meus e sinto o vento forte nos dentes!” Esconde depois a faca curvada debaixo do banco do jeep e falada boleia beduina que tambem deu a uma rapariga Alema que teve muito medo. O sorriso permanente deixou-nos de volta na vila.
A vila, na vila havia um Ali, depois outro. Um restaurante para quem faz escalada e para quem quer falar. Mecca na parede em foto e muito cha’ e nargilha. Ali tem 35 anos, e’ calmo e ja viveu no Japao. Fez de guia em Petra e depois em Wadi Rum. Ali cansou e cansado abriu um restaurante ali. Ele fala de conflito interior e projeccao desse conflito no exterior. Fala de coisas boas e mas em cada um de nos. Fala de despertar nos outros as coisas boas ou mas. Mas Ali fala principalmente de tempo. Ele fala do tempo que se da e troca. Dar tempo aos outros. Receber tempo dos outros. E fala depois de Alla e suas regras. Do tempo que se troca e das regras de Alla nessa troca. Ali fala e eu nao digo palavra. Aprendo. Viajo ali com Ali. E la fora o negro deserto e a tenda de estrelas fortes.
Ali fala tambem de mulheres. Ele nao e’ casado. Enquanto uma mulculmana de 25 anos que nao esteja casada e’ algo bizarro. Um homem pode esperar pela mulher certa ate’ bem tarde. Ali espera. E na espera fala da amiga no Egipto e troca mensagens com ela. Com a nossa ajuda a resposta vai em frances, ela e’ francesa. Foi ela que arranjou tudo aqui no restaurant, diz ele, e a parede com Wadi Rum pintado foi feita por um Catalao. “Mon amour, est-ce que tu veux m’epouse?”. Ela telefona e Ali sai a correr do restaurante euforico a falar com ela. Volta passados 20 minutos, diz que vai voltar para casa e sai. Na manha seguinte partimos areia fora.

Wadi Rum

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