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06 October 2010

O “rapaz porquê” cresceu e, continuando a perguntar, deixou de querer respostas

Ao entrar no avião de Londres para o Porto, a sua voz de dez anos é a minha voz de 10 anos. O sotaque de 10 anos é muito forte. E pergunta coisas, claro. Ele quer descobrir, perguntar. A mãe não lhe diz. Mas ele não desiste de perguntar. O que é? Como é? Ele esteve em Londres uns dias. Ele vai voltar para o Porto onde as perguntas são mais difíceis. Onde há menos perguntas para perguntar? Em casa. Ele tem 10 anos, eu também. E também volto para casa, onde há menos perguntas perguntáveis. Onde a diferença se deita e descansa.

E quando ele pergunta, ele sorri pois, e salta até. Saltar de pedra em pedra na praia ou montanha enquanto faz perguntas sem parar. Sem querer sequer as respostas. Só um “Mãe, os aviões têm filhos?” qualquer. Que vai ser dele quando já não tiver 10 anos? Porque vamos parar os dois de crescer aos 10 anos? Aos 10 anos, e’ bom, e nem eu nem ele queremos voltar, como quem tem uma mãe sempre a’ mão. O avião arranca para o Porto, alguém atrás de mim troca um V por um B e eu envelheço. O imediatamente antes de chegar e’ o momento mais triste da viagem.

27 September 2010

Dia 195, Londres, dia de permanecer

No dia 195, em Londres, há’ formigas no tubo, o metro, estreito. As linhas assustadas traçadas pelos olhares, o bambolear da carruagem, o aviso no microfone em voz mecânica, inglês pois. A escada rolante ate’, leva ela também um certo cinzento. Estamos no inicio de Setembro, esta’ a chover, merda. E’ escusado continuar a contar os dias do verão. Já chegou o Outono, já não há viagem, ou surpresa. Há’ só’ comboios para sítios onde tenho de fazer coisas. E’ escusado continuar a sonhar com o ar puro ou agua do mar. E’ Outono!

O dia 195 e’ o dia de parar a contagem, viagem. E’ dia de parar de sentir. E’ dia de parar de sonhar, parar. Parar de ir, sorrir. E’ Outono. E’ dia de obedecer, dia de permanecer. E a gota que corre pelo vidro da janela do comboio, escorre também pela minha cara.

No dia 195, permanecendo, a própria tristeza e’ mais banal, como no dia em que falta um ano inteiro para o Carnaval: