22 March 2010
Karak (Jordan)
Depois de Petra, para norte, comecam neste Medio Oriente as ruinas romanas e os castelos das cruzadas. Vieram eles difundir a cristandade! E vieram eles matar Arabes… conquistar. Territorialidades. Como, dizem os Oesteiros (Westerners), fazem os Mulculmanos em tempos modernos. Mas pobres mulculmanos nunca poderiam encetar tamanha sangridade. Do cimo do monte de quartos completos em castelo ve-se a Arabia, os Mouros, o Outro. E eu bem la’ em baixo junto ao exercito de Alla.
Dead Sea (Jordan)
No mar negro foi tempo de voar, nao, de fultuar. Os 400 metros abaixo da linha dos outros 7 mares aquecem a agua que vem da montanha e tras o sal quente. O rio que chega ao mar e’ fervente. E do quente podemos saltar para o sal um pouco mais frio. Mas ai comeca o voo. Ha algo de novo ali. Como se uma variavel desta realidade se alterasse so ali. Como se os pes ja nao pousassem no chao ou como se a cabeca fosse afinal nas pernas. Uma tontura agradavel, um livro e uma foto. A concentracao de sal e’ incrivel e podemos nadar com meio corpo fora de agua. De volta a’ agua quente e doce do ribeiro voltamos a sentir que outro mundo e’ possivel como so em Varanasi na India. Outras realidades existem aqui tao perto. Outras realidades ainda poderiam realmente existir, ou ser percepcoes em nos.
Como se nao bastasse o sal e a agua quente, alia o lado dizem e’ o West Bank. A Palestina dizem! Mas deixemos esse assunto para daqui a pouco. Aqui cheguei com dois Franceses, um Alemao e duas Dinamarquesas. Seis ou sete jovens rapazes que estavam na estrada (a 200 metros da borda de agua) desceram sempre atra’s de nos ate a’ agua. Ali se sentaram e fumaram cigarros e sorriam ate’. Perto. Ai as meninas comecam a preparar-se para entrar na agua e, de repente, esses 8 rapazes hipnotizados miravam, o West Bank desfocado! De Palestina em pano de fundo estes rapazes desfrutavam os bikinis dinamarqueses e nao havia um segundo de distraccao, olhar fixo, alunos atentos, felizes! Nos tambem olhamos as dinamarquesas, e’ certo, eram giras ate’, mas estes alunos da Jordania eram muito aplicados. Queriam aprender a licao do bikini! E assim foi, observados pelos alunos do bikini la lemos o jornal boiando.
Como se nao bastasse o sal e a agua quente, alia o lado dizem e’ o West Bank. A Palestina dizem! Mas deixemos esse assunto para daqui a pouco. Aqui cheguei com dois Franceses, um Alemao e duas Dinamarquesas. Seis ou sete jovens rapazes que estavam na estrada (a 200 metros da borda de agua) desceram sempre atra’s de nos ate a’ agua. Ali se sentaram e fumaram cigarros e sorriam ate’. Perto. Ai as meninas comecam a preparar-se para entrar na agua e, de repente, esses 8 rapazes hipnotizados miravam, o West Bank desfocado! De Palestina em pano de fundo estes rapazes desfrutavam os bikinis dinamarqueses e nao havia um segundo de distraccao, olhar fixo, alunos atentos, felizes! Nos tambem olhamos as dinamarquesas, e’ certo, eram giras ate’, mas estes alunos da Jordania eram muito aplicados. Queriam aprender a licao do bikini! E assim foi, observados pelos alunos do bikini la lemos o jornal boiando.
Moses Mount (Jordan)
Dois mil metros acima do mar morto havia um mosteiro e ate uma paisagem. E ao fundo, espacos biblicos: Belem e Jerusalem, Jerico, o local do baptismo de Jesus e muito mais. Mas ali onde eu estava, esteve um outro Moises. Ah Moises, vi eu com ele aquela gente dali mesmo. E ao fundo a terra prometida.
21 March 2010
ha ... um post
Nao ha bloco de notas, desapareceu. Nao ha computador com rascunhos do inicio do ano sobre Bergson e Deleuze. Nao ha preocupacoes de vida diaria. Nao ha um destino.
Nao ha o ser, desapareceu.
Havia um ponto de entrada, as ferias no Egipto, o descanso. Havia a viagem e o turismo em Petra, o arranque. Havia depois uma aventura em Jerusalem, a confirmacao. Mas havia depois um grande salto para a China e os States com iroes e istoes no meio. Havia um pesadelo de visas e dolares. Havia que ter presente o plano de chegada, o plano de consistencia que nunca era o final mas que se consolidaria em historia, em memoria. Havia o plano do livro ainda, a leitura revertida em escrita reorganizada.
Ha so este roteiro semi-turistico e muita gente que sabe onde vai e o que quer. Ha o dinheiro que tenho de ter para food, water and shelter. Ha o Mat, 25 anos, que vive num camiao reconstruido por ele para ser uma casa com porta e janelas e o Scotch que vive ha 30 anos numa caravana algures na holanda. Ha caravanas portanto. Ha caravanas de camelos que chegam a Petra. Ha anfiteatros romanos gigantes aqui em Amman na Jordania. Ha conversas em frances. Ha, portanto, encenacao. E ha, depois, projectos, de viagem, de vida, de amor, de riso, de abracos, de trabalho, de escrita.
Caravanas encenadas por projectos.
Havera sempre seres humanos, no dia a dia, que fultuam entre mulheres e dinheiro aqui e havera sempre esta experiencia, esta memoria curto prazo do "que vient de se passer". Mas como eh que eh na memoria que apareco eu perante mim? Foucault: Como eh que, sendo que eh so nisto que _vejo (e chamo vidamundo)_ que me vejo, eu me consigo ver e ser sujeito? Bergson: Como eh que, sendo que eh so nisto em que _pareco agir_ que me vejo, eu me consigo ver e ser sujeito? E por tras do sujeito sempre um projecto de sobrevivencia.
E pela frente (o passado) do sujeito, - nao ha/havia/ha/havera sempre - o tempo (verbal).
Nao ha o ser, desapareceu.
Havia um ponto de entrada, as ferias no Egipto, o descanso. Havia a viagem e o turismo em Petra, o arranque. Havia depois uma aventura em Jerusalem, a confirmacao. Mas havia depois um grande salto para a China e os States com iroes e istoes no meio. Havia um pesadelo de visas e dolares. Havia que ter presente o plano de chegada, o plano de consistencia que nunca era o final mas que se consolidaria em historia, em memoria. Havia o plano do livro ainda, a leitura revertida em escrita reorganizada.
Ha so este roteiro semi-turistico e muita gente que sabe onde vai e o que quer. Ha o dinheiro que tenho de ter para food, water and shelter. Ha o Mat, 25 anos, que vive num camiao reconstruido por ele para ser uma casa com porta e janelas e o Scotch que vive ha 30 anos numa caravana algures na holanda. Ha caravanas portanto. Ha caravanas de camelos que chegam a Petra. Ha anfiteatros romanos gigantes aqui em Amman na Jordania. Ha conversas em frances. Ha, portanto, encenacao. E ha, depois, projectos, de viagem, de vida, de amor, de riso, de abracos, de trabalho, de escrita.
Caravanas encenadas por projectos.
Havera sempre seres humanos, no dia a dia, que fultuam entre mulheres e dinheiro aqui e havera sempre esta experiencia, esta memoria curto prazo do "que vient de se passer". Mas como eh que eh na memoria que apareco eu perante mim? Foucault: Como eh que, sendo que eh so nisto que _vejo (e chamo vidamundo)_ que me vejo, eu me consigo ver e ser sujeito? Bergson: Como eh que, sendo que eh so nisto em que _pareco agir_ que me vejo, eu me consigo ver e ser sujeito? E por tras do sujeito sempre um projecto de sobrevivencia.
E pela frente (o passado) do sujeito, - nao ha/havia/ha/havera sempre - o tempo (verbal).
Petra (Jordan)
A Petra nao ia eu, ahahah. A natureza rocha monte e’ impressionante. E nao sao os monumentos que ha por todo o lado que mexem comigo, e’ a natureza. O vale, a rocha quebrada na vertical. Os tuneis, o sol e o vento.

Ha ate’ um canyon so para mim e um salto de 2 metros que penso nao conseguir fazer. E um passo por debaixo de uma rocha prestes a cair, uma tonelada de medo e risco. Mas o caminho segue como numa pista de bobsleigh desenhada na rocha de paredes com 100metros. Caminha-se por um tunel ou por um canyon ou por um ribeiro e ja seria suficiente, quando, no virar da esquina uma igreja cravada na rocha, e depois, mais adiante, outra e outra e depois um templo romano e sem sentir ouvem-se os cavalos a relinchar na rocha e camelos (e) beduinos. Por todo lado a fusao perfeita entre paisagem monumento. Uma clara maravilha de caravanas de comercio. No fim do topo a tenda vende cha beduino e ali mesmo tocam oud e cantam e a paisagem ouve-se, vento na rocha. Altitude sonora.

Na descida vem o Michel, a Veronica e o Joao. Dois irmaos canadianos, ela ensina ingles na Tailandia, ele tem um cargo de gestao em Israel, 25 anos. O Joao Pereira vem do Brasil e e’ diplomata, especialista em protocolo. Prepara em viagem a viagem do presidente Lula a’ Jordania. E’ muito simpatico e fala o melhor ingles que ja vi falar para alguem que nunca viveu fora do Brasil. Ha noite houve Indiana Jones no hostel. Foi aqui que Indiana encontrou o Santo Graal.
Ha ate’ um canyon so para mim e um salto de 2 metros que penso nao conseguir fazer. E um passo por debaixo de uma rocha prestes a cair, uma tonelada de medo e risco. Mas o caminho segue como numa pista de bobsleigh desenhada na rocha de paredes com 100metros. Caminha-se por um tunel ou por um canyon ou por um ribeiro e ja seria suficiente, quando, no virar da esquina uma igreja cravada na rocha, e depois, mais adiante, outra e outra e depois um templo romano e sem sentir ouvem-se os cavalos a relinchar na rocha e camelos (e) beduinos. Por todo lado a fusao perfeita entre paisagem monumento. Uma clara maravilha de caravanas de comercio. No fim do topo a tenda vende cha beduino e ali mesmo tocam oud e cantam e a paisagem ouve-se, vento na rocha. Altitude sonora.
Na descida vem o Michel, a Veronica e o Joao. Dois irmaos canadianos, ela ensina ingles na Tailandia, ele tem um cargo de gestao em Israel, 25 anos. O Joao Pereira vem do Brasil e e’ diplomata, especialista em protocolo. Prepara em viagem a viagem do presidente Lula a’ Jordania. E’ muito simpatico e fala o melhor ingles que ja vi falar para alguem que nunca viveu fora do Brasil. Ha noite houve Indiana Jones no hostel. Foi aqui que Indiana encontrou o Santo Graal.
Lost
Na america do sul roubaram-me as sandalias e depois algum dinheiro. aqui comeco ao contrario.
Primeiro deixei o gorro no autocarro, no dia seguinte deixei o moleskine em petra algures num miradouro. com o meu BI, copia do passaporte e duas gordas notas de 50eur...
Primeiro deixei o gorro no autocarro, no dia seguinte deixei o moleskine em petra algures num miradouro. com o meu BI, copia do passaporte e duas gordas notas de 50eur...
20 March 2010
17 March 2010
Wadi Rum (Jordan)
No Wadi Rum a distancia aumenta e a rocha cresce rebentada da areia. Ha mais areia do que rocha? No Wadi Rum, um deserto com grandes montanhas rochosas em volta, vivem os beduinos. Os beduinos sao os nomadas do deserto, usam camelos para se deslocarem, tendas feitas de uma especie de tapetes para dormirem, pao enfarinhado e achatado e redondo para comerem, cha de camomila e menta para beberem, tunicas brancas para vestir, lencos vermelhos e brancos aos quadrados na cabeca e o islao para filosofar. Sim, o islao e’ a religiao mais filosofica… um muculmano esta sempre pronto para filosofar. A cristandade e’ de uma moralidade mais simples, o muculmano esta pronto para discutir o que e’ ser um bom ou mau muculmano, o que se deve fazer para respeitar Alla. Maome ouviu de Alla o Quran no deserto e e’ no deserto que se fala de Alla. E’ na sobrevivencia dura e quente que o homem, aqui, encontra Deus e suas regras.
O taxi pa’ra e estamos no deserto, a tarde e’ quente. Passamos o edificio da entrada no Wadi Rum e, logo ali ao lado, os sete pilares da sabedoria de Lawrence. Nao sao bem sete e nem sequer e’ o mais interessante isto que nos trouxe aqui. Os sete pilares sao o fim de uma cadeia gigantesca de montanhas rochosas ao lado esquerdo. Do outro lado outra cadeia rochosa. Unidas pela areia formam um corredor gigante, 1km de areia plana entre duas paredes de 1000m de altura. Em frente, bem la’ ao fundo uma rocha ou montanha que forma um trapezio quase perfeito. Pequeno. Ao fundo. Foram 7kms ate’ a’ vila Rum entre as paredes. A tenda na vila espetada na areia era da cor da areia e ao despertar, a cabeca, fora da tenda, via as paredes erguidas areia acima. E o sol a rebentar. Ao lado, uma tenda beduina com almofadas sentadas no chao para o cha’ do pequeno almoco.
A Estrada de asfalto acaba ali e deixa ficar so a areia, a rocha, e o sol, as botas e os passos. Ao fundo ainda a rocha, o mesmo trapezio pequeno ainda apesar dos 7kms. No deserto o olhar ao fundo e ao alto esbarra na distancia e perde-se. A rocha esta ja ali bem perto. Duas horas depois, bem perto. 4 horas de borracha na areia, lenco na cabeca e camelos, a rocha? Ali bem perto. E ainda, mais 20 minutos. A distancia e’ curta no olhar e longa no caminhar. A paisagem grandiosa permite a pequenez! Nos dominamos o nosso mundo e centramo-nos sempre no dobrar do joelho passante ou no esfregar da mao na areia e no fundo, bem la, nao ha… accao. Um objecto a 10kms ou 20kms tem a mesma importancia para nos. Mas aqui, tao longe e sem calculo de visao possivel, erramos sempre e sentimos a dimensao, as dimensoes, a pequenez, a proximidade, a nao accao, ate a’ inexistencia da rocha la ao fundo, oasis de miragem. Subi a duna e rebolei duna a baixo. O trapezio quase perto. As rochas do trapezio la estavam debaixo de mim, 20kms talvez desde a entrada a pe. E estavam, diziam, derretidas como Gaudi as teria feito. Derretidas pelo sol, moldadas pelos ventos. Arabicas talvez tambem as gravuras antigas na rocha e o canyon que por ali se rasgara. E agua ate’.
Les fruz, Jon et Ben sont du pays basque. Benoit dix tout le temp: “mais c’est beaux, ah?”. On parle le Francais au Wadi Rum.
Os beduinos usavam camelos. Agora usam jeeps. Mas continuam a usar as facas curvadas, punhal com cristais. E o lenco vermelho e branco e tunica. Agora usam colgate. “Voces lavam muitas vezes os dentes, nos nunca lavamos.” E muito sorridente termina “E’ que hoje lavei os meus e sinto o vento forte nos dentes!” Esconde depois a faca curvada debaixo do banco do jeep e falada boleia beduina que tambem deu a uma rapariga Alema que teve muito medo. O sorriso permanente deixou-nos de volta na vila.
A vila, na vila havia um Ali, depois outro. Um restaurante para quem faz escalada e para quem quer falar. Mecca na parede em foto e muito cha’ e nargilha. Ali tem 35 anos, e’ calmo e ja viveu no Japao. Fez de guia em Petra e depois em Wadi Rum. Ali cansou e cansado abriu um restaurante ali. Ele fala de conflito interior e projeccao desse conflito no exterior. Fala de coisas boas e mas em cada um de nos. Fala de despertar nos outros as coisas boas ou mas. Mas Ali fala principalmente de tempo. Ele fala do tempo que se da e troca. Dar tempo aos outros. Receber tempo dos outros. E fala depois de Alla e suas regras. Do tempo que se troca e das regras de Alla nessa troca. Ali fala e eu nao digo palavra. Aprendo. Viajo ali com Ali. E la fora o negro deserto e a tenda de estrelas fortes.
Ali fala tambem de mulheres. Ele nao e’ casado. Enquanto uma mulculmana de 25 anos que nao esteja casada e’ algo bizarro. Um homem pode esperar pela mulher certa ate’ bem tarde. Ali espera. E na espera fala da amiga no Egipto e troca mensagens com ela. Com a nossa ajuda a resposta vai em frances, ela e’ francesa. Foi ela que arranjou tudo aqui no restaurant, diz ele, e a parede com Wadi Rum pintado foi feita por um Catalao. “Mon amour, est-ce que tu veux m’epouse?”. Ela telefona e Ali sai a correr do restaurante euforico a falar com ela. Volta passados 20 minutos, diz que vai voltar para casa e sai. Na manha seguinte partimos areia fora.
More at http://www.flickr.com/photos/48159593@N05/tags/jordan/
You know what? I love this. This is travelling.
Vou ter de comprar qualquer coisa que me permita escrever em viagem e nao em cybercafes: laptop ou iphone. De outra forma tudo se perdera. No cyber cafe nunca ha paciencia ou tempo para escrever\ descever tanta aventura. Neste blog ainda nao escrevi nada da aventura.
Um resumo muito rapido:
- o Kamel e o Hirschan (sao estudantes de direito e Contabilidade no Cairo) que me levaram das piramides ate ao centro da cidade em metro e microbuses locais. O mais giro foi o Kamel que depois de longa conversa, ao caminhar pelas ruas do Cairo me deu o braco e mais ah frente me deu a mao. Algo estranhissimo para nos. Algo muito comum para eles. As mulheres nao sao acessiveis para estes jovens de 20 anos, nunca estiveram, a vida vive-se com homens. Eu nao aguentei nem 2 segundos de mao dada :-)
- o Makmud que me mostrou o sindbad camp em Dahab, relaxado, tinha vindo passar o fim de semana de Cairo a Dahab sozinho
- o FreeLancer ingles que faz software e que se "reformou" aos 35 anos...
- o jogo de bola com o staff do sindbad
- os corais em Dahab! Snorkelling com vista para um parede de 10 metros, peixe por todo o lado
- o Mohamed e o Mustafa na paragem de autocarro que mostra o filho de 2 anos
- o grupo de 50 egipcios no acampamento em StKatherine faziam caminhadas de noite para subir a montanhas sagradas. O comportamento identico a um grupo de jovens adultos portugues religioso, resavam juntos, cantavam juntos, riam juntos, activavam juntos
- o mosteiro de StKatherine na base do monte sinai (o monte onde Moises recebeu os mandamentos de deus) ainda tem monges ortodoxos gregos e uma decoracao ortodoxa incrivelmente rica, ah volta, algumas arvores e so montanhas e deserto, ah saida as escadas da penitencia milhares de degraus que levam ao topo do monte sinai
- a paisagem, deserto com montanha em pedra: o Sinai de pedras coloridas
- arcordar todos os dias com a "call for prayers" alla uakbar, deus eh grande gritam os megafones 5 vezes por dia
- em al-milga pequena vila antes de stkatherina, a "missa com sermao" de sexta feira de final da manha eh a mais importante, inch'alla. As familias inteiras saem da mesquita que logo em frente tem uma padaria. Cada home levam na mao sem mais nada uns 10 a 20 paes e alguns uma saca com vegetais comprados na mercearia ao lado. O pao eh beduino e bom. eu levo tres!
- os 3 voluntarios por dois anos na namibia que no final fazem a viagem por terra, namibia-irlanda
- os resorts Hilton em Dahab onde se dirigem a mim em Russo, o Egipto eh uma instancia balnear russa, a praia eh optima com agua clara e vista para a montanha, a praia eh privada mas eu consigo meter-me para la
- chegada a Nweiba mais a norte, o autocarro chega as 20h e deixa-me numa esquina escura so com algumas pessoas, nenhum carro. O ambiente e deserto em volta, eu sei que estou a 7km da vila e que preciso de um taxi. Penso em caminhar mas passa um carro. Boleia? Nao, taxi, 3eur. Um carro incrivel dos anos 50 com um painel incrivel (eu nao ligo nada a carros mas este era soberbo). Um velhote e uma velhota com o que seria provavelmente a neta, um bebe de colo. Tarabin! Tarabin? Depois de andar na escuridao la me deixou num rua escura. Sai e eles partiram. Era escuro, o deserto, ouvia o mar! Um burro na noite! Um placard Sababa! Sababa camp com cabanas a 4eur. Optimo.
- 5 minutos depois, pao com queijo, uma decoracao fantastica a 10m do mar. Uma noite calma e quente.
- 10 minutos depois, "come and meet my friends", matt, anna, faed, assan, etc, etc... 6 horas depois, todos a cantar, a Anna toca guitarra, o Matt tambor, o Faed canta musica arabe e toca semsemia, harpa esgipcia. Um sem numero de detalhes a contar.
- estava tambem la o Prassana, indiano emigrante nos states com quem conversei longas horas
- a analise da vida religiosa da minha avo e comparcao com o islao, muito poucas diferencas., a vida de uma familia hindu na india, - being an hippie, - life and behond, the purpose, etc, etc, etc
- barco de Nweiba para Aqaba, Jordania. George, 60 anos, viaja de bicicleta de Sarhm el-sheik para Manchester "my children are older than you", so fez 70kms nesse dia porque estava vento, vou ter de viajar de bicicleta em breve!
- o Navid de Manchester, Farmaceutico de ferias, origem paquistanesa
- taxi, hotel e jantar num kebab optimo em aqaba jordania, dois marroquinos e dois franceses, on parle francais
Ah, ja estou na Jordania, la suisse arabique (que voyage avec des surfeurs basques).
Ah, o titulo do blog foi o que eu disse depois de uma viagem de barco de uma hora que demorou 12 horas, no final todos se queixavam, eu passei a viagem a falar com o Prassana e o George ciclista, estava euforico! This is travelling!
Um plano: pascoa em Jerusalem!!!




Um resumo muito rapido:
- o Kamel e o Hirschan (sao estudantes de direito e Contabilidade no Cairo) que me levaram das piramides ate ao centro da cidade em metro e microbuses locais. O mais giro foi o Kamel que depois de longa conversa, ao caminhar pelas ruas do Cairo me deu o braco e mais ah frente me deu a mao. Algo estranhissimo para nos. Algo muito comum para eles. As mulheres nao sao acessiveis para estes jovens de 20 anos, nunca estiveram, a vida vive-se com homens. Eu nao aguentei nem 2 segundos de mao dada :-)
- o Makmud que me mostrou o sindbad camp em Dahab, relaxado, tinha vindo passar o fim de semana de Cairo a Dahab sozinho
- o FreeLancer ingles que faz software e que se "reformou" aos 35 anos...
- o jogo de bola com o staff do sindbad
- os corais em Dahab! Snorkelling com vista para um parede de 10 metros, peixe por todo o lado
- o Mohamed e o Mustafa na paragem de autocarro que mostra o filho de 2 anos
- o grupo de 50 egipcios no acampamento em StKatherine faziam caminhadas de noite para subir a montanhas sagradas. O comportamento identico a um grupo de jovens adultos portugues religioso, resavam juntos, cantavam juntos, riam juntos, activavam juntos
- o mosteiro de StKatherine na base do monte sinai (o monte onde Moises recebeu os mandamentos de deus) ainda tem monges ortodoxos gregos e uma decoracao ortodoxa incrivelmente rica, ah volta, algumas arvores e so montanhas e deserto, ah saida as escadas da penitencia milhares de degraus que levam ao topo do monte sinai
- a paisagem, deserto com montanha em pedra: o Sinai de pedras coloridas
- arcordar todos os dias com a "call for prayers" alla uakbar, deus eh grande gritam os megafones 5 vezes por dia
- em al-milga pequena vila antes de stkatherina, a "missa com sermao" de sexta feira de final da manha eh a mais importante, inch'alla. As familias inteiras saem da mesquita que logo em frente tem uma padaria. Cada home levam na mao sem mais nada uns 10 a 20 paes e alguns uma saca com vegetais comprados na mercearia ao lado. O pao eh beduino e bom. eu levo tres!
- os 3 voluntarios por dois anos na namibia que no final fazem a viagem por terra, namibia-irlanda
- os resorts Hilton em Dahab onde se dirigem a mim em Russo, o Egipto eh uma instancia balnear russa, a praia eh optima com agua clara e vista para a montanha, a praia eh privada mas eu consigo meter-me para la
- chegada a Nweiba mais a norte, o autocarro chega as 20h e deixa-me numa esquina escura so com algumas pessoas, nenhum carro. O ambiente e deserto em volta, eu sei que estou a 7km da vila e que preciso de um taxi. Penso em caminhar mas passa um carro. Boleia? Nao, taxi, 3eur. Um carro incrivel dos anos 50 com um painel incrivel (eu nao ligo nada a carros mas este era soberbo). Um velhote e uma velhota com o que seria provavelmente a neta, um bebe de colo. Tarabin! Tarabin? Depois de andar na escuridao la me deixou num rua escura. Sai e eles partiram. Era escuro, o deserto, ouvia o mar! Um burro na noite! Um placard Sababa! Sababa camp com cabanas a 4eur. Optimo.
- 5 minutos depois, pao com queijo, uma decoracao fantastica a 10m do mar. Uma noite calma e quente.
- 10 minutos depois, "come and meet my friends", matt, anna, faed, assan, etc, etc... 6 horas depois, todos a cantar, a Anna toca guitarra, o Matt tambor, o Faed canta musica arabe e toca semsemia, harpa esgipcia. Um sem numero de detalhes a contar.
- estava tambem la o Prassana, indiano emigrante nos states com quem conversei longas horas
- a analise da vida religiosa da minha avo e comparcao com o islao, muito poucas diferencas., a vida de uma familia hindu na india, - being an hippie, - life and behond, the purpose, etc, etc, etc
- barco de Nweiba para Aqaba, Jordania. George, 60 anos, viaja de bicicleta de Sarhm el-sheik para Manchester "my children are older than you", so fez 70kms nesse dia porque estava vento, vou ter de viajar de bicicleta em breve!
- o Navid de Manchester, Farmaceutico de ferias, origem paquistanesa
- taxi, hotel e jantar num kebab optimo em aqaba jordania, dois marroquinos e dois franceses, on parle francais
Ah, ja estou na Jordania, la suisse arabique (que voyage avec des surfeurs basques).
Ah, o titulo do blog foi o que eu disse depois de uma viagem de barco de uma hora que demorou 12 horas, no final todos se queixavam, eu passei a viagem a falar com o Prassana e o George ciclista, estava euforico! This is travelling!
Um plano: pascoa em Jerusalem!!!
10 March 2010
terra humida
De um email de ha 2 anos:
"A morte do avô foi triste... se eu durar tanto como ele, 86 anos, vou estar por cá até 2066. Tenho 58 anos para viver, será que chega? Tanta urgencia de viver, de vida!
Ando a pegar na vida (como se fosse um bocado de terra humida) e a esfregá-la na cara."
Era tao mais simples fazer castelos e nao ter sempre de sentir a cara a precisar de ser limpa. Atira-me agua para os olhos!
"A morte do avô foi triste... se eu durar tanto como ele, 86 anos, vou estar por cá até 2066. Tenho 58 anos para viver, será que chega? Tanta urgencia de viver, de vida!
Ando a pegar na vida (como se fosse um bocado de terra humida) e a esfregá-la na cara."
Era tao mais simples fazer castelos e nao ter sempre de sentir a cara a precisar de ser limpa. Atira-me agua para os olhos!
09 March 2010
Sexto sentido: umas maos para dentro
Sao seis da tarde e estava a ler. Nao. Eram seis da tarde e estou a ler.
Depois parei, ouvi um grupo que conversava na harisha ali ao lado. Olhei para a porta do quarto. Pensava em algo relacionado com o trabalho. Talvez que oportunidades ia tentar encontrar. Que coisas iria querer fazer no meu novo emprego. E de repente, um respirar fundo e um: "já estou bom!".
E olhando ah volta... uma irrealidade.
Não corria vento. As folhas das palmeiras absolutamente inertes. Havia uma espécie de pórtico do campo onde estou, uma cabana de palha com hammocks, uma palmeira, no chão de terra, 5 metros adiante, estava o mar mas não havia nem vento nem ondas, só nevoeiro. Eh noite e estão 25 graus. Estou de tshirt. A luz amarelada que vinha do pórtico declarava-se aos meus pés, as sombras dos objectos eram estranhamente nítidas. O cheiro a mar também não estava. Havia um passeio entre mim e o mar onde passavam algumas pessoas mas o som dos passos parecia não se espalhar. Havia uma irrealidade que não entendi. A luz, o nevoeiro, a noite quente, o mar perto mas silencioso, o som dos passos que se espalhava pelo mar que eu não via no escuro. Era como num estúdio de cinema. Onde isto tudo estava a acontecer? Ali tinham acabado de filmar uma cena do Coppola (one from the heart)! Era Árabe que se falava ali na cabana.
Um sorriso. A paz espreitou. Disse, já estou bom!
O rasto que eu trazia já la não estava, não havia passado! E o futuro, fácil, outra vez ali tão meu.
Ali voltei a ter a vida toda e as suas esquinas para... derivar éticas.
Mas para aqui chegar, ontem, houve um exercício. Como desligar os sentidos?
Primeiro tive de usar os dedos, um, dois, três ... cinco!
O paladar e o olfacto são os mais simples. Digamos que estão desligados por defeito.
Coloquei uns tampões já não havia ouvidos.
Comecei aos poucos a ver as varias dimensões daquilo que sobrava. Estava na cama com um mosquiteiro por cima num quarto de meia dúzia de metros quadrados e com paredes amareladas. E já nem o mar ali em frente se ouvia.
A visão e o tacto são os mais difíceis. São aqueles que mais profundamente constituem as nossas noções de estar aqui e agora e de ser.
Para desligar a visão, desliguei primeiro as cores. Tirei as cores dos objectos. Transformei os objectos em formas bem escuras, negras que nao se viam. So depois fechei os olhos e nao houve diferença, era so aquele preto que foi fácil ignorar.
O tacto eh bem mais omnipresente. Como destruir este sentir que estou num lugar, num espaco?
Antes disso, ja de tampoes nos ouvidos e olhos fechados, respirei fundo. E nisto entendi que o tacto mais facil de desligar eh o interno. Eh mais facil deixar de sentir o corpo por dentro do que por fora.
Para deixar de sentir o sentido que me dava o tacto tinha agora de deixar de sentir o exterior. O primeiro obstaculo foi deixar de sentir os objectos em si, como um todo. Deixar de ter a mao no lencol, passar a sentir apenas aquela informação que vinha do dedo médio, aquela rugosidade. Depois era preciso deixar de sentir que aquela rugosidade vinha do meu braco ou dedo, ou sequer de um braco (objecto táctil). Era preciso isolar aquela rugosidade. Como fechar estes olhos que me trazem esta rugosidade simples? O tacto eh um sentido diferencial, se nao me mover nao sinto. E assim foi.
5 sentidos eliminados. Mas ainda aqui estou? So pode haver um sexto. Claro! Tenho de desligar este sexto sentido para deixar de estar aqui. E assim foi. A consciencia era claramente o meu sexto sentido que me deixava sentir, nao a luz, nao o som, nao a rugosidade, mas simplesmente o meu cerebro, ou o que la se passava. Eh que la havia ainda a memoria a correr. Com os 5 sentidos desligados faltava-me um, a consciência, que deixa ver a memoria enquanto esta se baralha. A consciencia eh o tacto do cerebro. Sao umas mãos para dentro!
A conclusão foi simples, tudo desligado veio o sono. Nesse lugar onde nao ha sexto sentido que deixe ver para dentro mas onde há memoria, e seus baralhamentos. E no dia seguinte, os restos desse baralho de memoria, pronto para "partir".
Bastou desligar-me assim para me por bom.
Depois parei, ouvi um grupo que conversava na harisha ali ao lado. Olhei para a porta do quarto. Pensava em algo relacionado com o trabalho. Talvez que oportunidades ia tentar encontrar. Que coisas iria querer fazer no meu novo emprego. E de repente, um respirar fundo e um: "já estou bom!".
E olhando ah volta... uma irrealidade.
Não corria vento. As folhas das palmeiras absolutamente inertes. Havia uma espécie de pórtico do campo onde estou, uma cabana de palha com hammocks, uma palmeira, no chão de terra, 5 metros adiante, estava o mar mas não havia nem vento nem ondas, só nevoeiro. Eh noite e estão 25 graus. Estou de tshirt. A luz amarelada que vinha do pórtico declarava-se aos meus pés, as sombras dos objectos eram estranhamente nítidas. O cheiro a mar também não estava. Havia um passeio entre mim e o mar onde passavam algumas pessoas mas o som dos passos parecia não se espalhar. Havia uma irrealidade que não entendi. A luz, o nevoeiro, a noite quente, o mar perto mas silencioso, o som dos passos que se espalhava pelo mar que eu não via no escuro. Era como num estúdio de cinema. Onde isto tudo estava a acontecer? Ali tinham acabado de filmar uma cena do Coppola (one from the heart)! Era Árabe que se falava ali na cabana.
Um sorriso. A paz espreitou. Disse, já estou bom!
O rasto que eu trazia já la não estava, não havia passado! E o futuro, fácil, outra vez ali tão meu.
Ali voltei a ter a vida toda e as suas esquinas para... derivar éticas.
Mas para aqui chegar, ontem, houve um exercício. Como desligar os sentidos?
Primeiro tive de usar os dedos, um, dois, três ... cinco!
O paladar e o olfacto são os mais simples. Digamos que estão desligados por defeito.
Coloquei uns tampões já não havia ouvidos.
Comecei aos poucos a ver as varias dimensões daquilo que sobrava. Estava na cama com um mosquiteiro por cima num quarto de meia dúzia de metros quadrados e com paredes amareladas. E já nem o mar ali em frente se ouvia.
A visão e o tacto são os mais difíceis. São aqueles que mais profundamente constituem as nossas noções de estar aqui e agora e de ser.
Para desligar a visão, desliguei primeiro as cores. Tirei as cores dos objectos. Transformei os objectos em formas bem escuras, negras que nao se viam. So depois fechei os olhos e nao houve diferença, era so aquele preto que foi fácil ignorar.
O tacto eh bem mais omnipresente. Como destruir este sentir que estou num lugar, num espaco?
Antes disso, ja de tampoes nos ouvidos e olhos fechados, respirei fundo. E nisto entendi que o tacto mais facil de desligar eh o interno. Eh mais facil deixar de sentir o corpo por dentro do que por fora.
Para deixar de sentir o sentido que me dava o tacto tinha agora de deixar de sentir o exterior. O primeiro obstaculo foi deixar de sentir os objectos em si, como um todo. Deixar de ter a mao no lencol, passar a sentir apenas aquela informação que vinha do dedo médio, aquela rugosidade. Depois era preciso deixar de sentir que aquela rugosidade vinha do meu braco ou dedo, ou sequer de um braco (objecto táctil). Era preciso isolar aquela rugosidade. Como fechar estes olhos que me trazem esta rugosidade simples? O tacto eh um sentido diferencial, se nao me mover nao sinto. E assim foi.
5 sentidos eliminados. Mas ainda aqui estou? So pode haver um sexto. Claro! Tenho de desligar este sexto sentido para deixar de estar aqui. E assim foi. A consciencia era claramente o meu sexto sentido que me deixava sentir, nao a luz, nao o som, nao a rugosidade, mas simplesmente o meu cerebro, ou o que la se passava. Eh que la havia ainda a memoria a correr. Com os 5 sentidos desligados faltava-me um, a consciência, que deixa ver a memoria enquanto esta se baralha. A consciencia eh o tacto do cerebro. Sao umas mãos para dentro!
A conclusão foi simples, tudo desligado veio o sono. Nesse lugar onde nao ha sexto sentido que deixe ver para dentro mas onde há memoria, e seus baralhamentos. E no dia seguinte, os restos desse baralho de memoria, pronto para "partir".
Bastou desligar-me assim para me por bom.
Dahab Fresh Fish Breakfast
Ao acordar:
1. nao esquecer trazer a mascara
2. andar 10 metros ate ah agua (desde a porta do quarto)
3. nao esquecer por a mascara
4. nadar 5 metros
5. abrir os olhos
et voila:
1. nao esquecer trazer a mascara
2. andar 10 metros ate ah agua (desde a porta do quarto)
3. nao esquecer por a mascara
4. nadar 5 metros
5. abrir os olhos
et voila:
08 March 2010
Foucault et le souci de soi
Le sujet est donc une concrétion politique et historique, et pas typiquement une substance libre comme le voudrait la tradition et le sens commun.
"Le problème à la fois politique, éthique, social et philosophique qui se pose à nous aujourd'hui n'est pas d'essayer de libérer l'individu de l'État et de ses institutions, mais de nous libérer, nous, de l'État et du type d'individualisation qui s'y rattache. Il nous faut promouvoir de nouvelles formes de subjectivité."
O "estado" (e/ou muitos outros mecanismos de governo) vive na nossa forma de sermos nos mesmos. Esta eh a bomba de final de carreira de Foucault.
Ou (nao tao precisamente), nos somos o estado. Nao nos bastara livrarmo-nos do estado.
Um anarquista para ser anarquista tem de se livrar de si. Das suas formas de subjectivacao replectas da sociedade que ele nega. A sociedade vive em nos.
Esta eh uma pequena continuacao dos resumos que fiz do "Territory, Security Populatrion" e do "Hermeneutics of the Subject", Foucault. A postar em breve espero.
Next:
http://www.amazon.fr/gouvernement-soi-autres-Coll%C3%A8ge-1982-1983/dp/2020658690
http://www.amazon.fr/gouvernement-soi-autres-courage-1983-1984/dp/2020658704
"Le problème à la fois politique, éthique, social et philosophique qui se pose à nous aujourd'hui n'est pas d'essayer de libérer l'individu de l'État et de ses institutions, mais de nous libérer, nous, de l'État et du type d'individualisation qui s'y rattache. Il nous faut promouvoir de nouvelles formes de subjectivité."
O "estado" (e/ou muitos outros mecanismos de governo) vive na nossa forma de sermos nos mesmos. Esta eh a bomba de final de carreira de Foucault.
Ou (nao tao precisamente), nos somos o estado. Nao nos bastara livrarmo-nos do estado.
Um anarquista para ser anarquista tem de se livrar de si. Das suas formas de subjectivacao replectas da sociedade que ele nega. A sociedade vive em nos.
Esta eh uma pequena continuacao dos resumos que fiz do "Territory, Security Populatrion" e do "Hermeneutics of the Subject", Foucault. A postar em breve espero.
Next:
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http://www.amazon.fr/gouvernement-soi-autres-courage-1983-1984/dp/2020658704
07 March 2010
Best of Cairo
06 March 2010
O mini messias
Depois do Evangelho de Mateus do Pasolini, em que me revi em Cristo, que me sinto um mini-messias. Um pastor parttime de almas inquietas: que grande mercado este, hein?
Neste contexto, algo que tenho repetido a muitos que me rodeiam:
Tu estas desalinhado mas nao estas sozinho.
Ninguem, numa populacao esta sozinho. Numa populacao, como entidade estatistica, nenhum "range" de valores esta vazio.
E sempre foi assim. Um dos primeirissimos albuns de musica pop que idolatrei em 93, ainda antes de Nirvana, ja tinha isso. E nao sera certamente algo do nosso tempo. Eh a multidao que canta "Estou desalinhado" e estao tambem desalinhados entre eles, mas sempre em grupo.
E por falar em messias, um apontamento perdido na traducao. Ao analisar o guia de Israel havia la uma entrada muito falada que eu nao entendia... so ontem se fez luz em Bethlehem!!! :-)
E depois vai haver o Monte Sinai... bibliquices q.b. portanto.
Neste contexto, algo que tenho repetido a muitos que me rodeiam:
Tu estas desalinhado mas nao estas sozinho.
Ninguem, numa populacao esta sozinho. Numa populacao, como entidade estatistica, nenhum "range" de valores esta vazio.
E sempre foi assim. Um dos primeirissimos albuns de musica pop que idolatrei em 93, ainda antes de Nirvana, ja tinha isso. E nao sera certamente algo do nosso tempo. Eh a multidao que canta "Estou desalinhado" e estao tambem desalinhados entre eles, mas sempre em grupo.
E por falar em messias, um apontamento perdido na traducao. Ao analisar o guia de Israel havia la uma entrada muito falada que eu nao entendia... so ontem se fez luz em Bethlehem!!! :-)
E depois vai haver o Monte Sinai... bibliquices q.b. portanto.
Dahab e a descompressao
Acordar numa cabana com vista para o mar, beber cafe e cha com uns egipcios simpaticos em volta. Sol, o mar vermelho em frente e restaurantes. Eu e o mar. A Arabia Saudita do outro lado montanhoso.
Tres dias trezentas paginas. Um livro arrumado.
Mais uns dias e estarei pronto para arrancar os motores... por agora, a descompressao eh violenta, a cada hora que passa uma preocupacao/tensao desaparece. Como num viagem ao centro da terra. De volta ao meu territorio.

E... viva portugal!
Tres dias trezentas paginas. Um livro arrumado.
Mais uns dias e estarei pronto para arrancar os motores... por agora, a descompressao eh violenta, a cada hora que passa uma preocupacao/tensao desaparece. Como num viagem ao centro da terra. De volta ao meu territorio.
E... viva portugal!
04 March 2010
Jogo de Azimutes
Tenho mais de 10 paginas de bloco de notas para passar para o blog... pouco resumiveis.
Ja passou o cairo de piramides e museu e souks entre Marrakesh e New Delhi.
Nao estou no egipto faraonico, estou no egipto muculmano.
Nao estou no egipto africano, estou no egipto arabe.
A jordania ja espreita aqui ao lado com vista para a arabia saudita: Dahab.
Para ja, deixar alfinetes neste mar, tracar o meu mapa. So no mais riscado mapa aparece o plano de consistencia, e dai traco, a nova linha de fuga. Jogo de azimutes: http://citocromo.blogspot.com/2010/03/o-casaco-de-l.html
Ja passou o cairo de piramides e museu e souks entre Marrakesh e New Delhi.
Nao estou no egipto faraonico, estou no egipto muculmano.
Nao estou no egipto africano, estou no egipto arabe.
A jordania ja espreita aqui ao lado com vista para a arabia saudita: Dahab.
Para ja, deixar alfinetes neste mar, tracar o meu mapa. So no mais riscado mapa aparece o plano de consistencia, e dai traco, a nova linha de fuga. Jogo de azimutes: http://citocromo.blogspot.com/2010/03/o-casaco-de-l.html
26 February 2010
o post de abertura e a belgica
Ha quem escreva sobre o post, ha quem imprima o post, ha quem queira os factos, ha quem diga para me deixar de filosofias, ha quem cuide da M, ha quem me leve a jantar em bruxelas, ha quem me fale de neurobiologia e me empreste a casa em antuerpia; ha ja as vozes dos livros espalhadas por mim, ha vontade de escrita e pouco metodo, ha Duvel e gofres, ha muitas ideias; enfim, ha ja a diferenca em forma de estaladaria na cara!
Acho que vou criar uma label chamada o "blog seca" para posts assim:
"cheguei a bruxelas na quarta e foi muito giro! Fiquei sorridente so de ouvir o frances; o portugues; o neerlandes e o ingles todos misturados. O R acolheu-me em sua casa e fartamo-nos de conversar. O Brughel e o Bosch do Fine Arts museum em bruxelas foram vistos a correr mas impressionaram. A tentacao de santo antonio destacou-se juntamente com a coleccao de arte do seculo XX belga e holandesa. O jantar com a G foi divertido e fez-me sonhar em viver em bruxelas. Cada vez gosto mais de Bruxelas. O fim de semana sera na holanda em roterdao onde vamos encontrar o A. Vamos a casa do espinosa e ao escher museum"
Que seca... :-)
Acho que vou criar uma label chamada o "blog seca" para posts assim:
"cheguei a bruxelas na quarta e foi muito giro! Fiquei sorridente so de ouvir o frances; o portugues; o neerlandes e o ingles todos misturados. O R acolheu-me em sua casa e fartamo-nos de conversar. O Brughel e o Bosch do Fine Arts museum em bruxelas foram vistos a correr mas impressionaram. A tentacao de santo antonio destacou-se juntamente com a coleccao de arte do seculo XX belga e holandesa. O jantar com a G foi divertido e fez-me sonhar em viver em bruxelas. Cada vez gosto mais de Bruxelas. O fim de semana sera na holanda em roterdao onde vamos encontrar o A. Vamos a casa do espinosa e ao escher museum"
Que seca... :-)
23 February 2010
the Vanishing Line
Uma nova viagem. Não há plano. Há uma mochila às costas com livros lá dentro e um pé à frente do outro.
Depois de recuperar a paz perdida, que presumo será fácil, o que quero desta viagem? Viajar e viver são dois verbos que permuto continuamente. O que quero desta vida? E aqui pergunto-me porque está a pergunta "Quanto tempo?" dentro de toda a gente?
Não sei quanto tempo vou viver ou como vou viver. Sei aquilo que se mostra perante mim em cada evento. Derivo éticas a cada esquina. "There is no answer, there is no question, thus, there are no ethics".
Para viajar/viver não é preciso mudar de local, basta viver/viajar por dentro.
A viagem começa onde acaba a diferença entre eu e o outro, entre o nós e o eles. A viagem começa na desfragmentação do eu, na sua integração com o outro, no ver pelos olhos dos outros, na experimentação do "Ser o Outro". Não é tédio mas é intermédio entre mim e o outro. Ser drogado sem droga, "ser sem ser, become". O viajar começa onde acaba o ser e começa o devir (o become). Devir oriental (arab), ou qualquer outra coisa. Esta é a linha de fuga entre o eu e o outro. Uma linha de voo claro. Uma linha de integração do "eu muçulmano, tu ocidental".
"A desterritorialização e a reterritorialização cruzam-se no duplo devir. Não se consegue já distinguir o autóctone do estrangeiro, porque o estrangeiro se torna autóctone na terra do outro que não o é, ao mesmo tempo que o autóctone se torna estrangeiro, em relação a si próprio...", Deleuze
Depois de recuperar a paz perdida, que presumo será fácil, o que quero desta viagem? Viajar e viver são dois verbos que permuto continuamente. O que quero desta vida? E aqui pergunto-me porque está a pergunta "Quanto tempo?" dentro de toda a gente?
Não sei quanto tempo vou viver ou como vou viver. Sei aquilo que se mostra perante mim em cada evento. Derivo éticas a cada esquina. "There is no answer, there is no question, thus, there are no ethics".
Para viajar/viver não é preciso mudar de local, basta viver/viajar por dentro.
É possível viajar sem sair do sítio. É possível experimentar o que o drogado sente sem tomar drogas.
Os verdadeiros nómadas não se deslocam. O mundo à sua volta é quem se desloca.
Mas para isso é preciso ultrapassar o problema da diferença indetectável. No território conquistado e repetido, em casa, a diferença torna-se indiscernível. Noutro ambiente, em viagem, a diferença é tão grande que não é necessário esforço para reparar na diferença. Com a viagem, aumentam as diferenças. É preciso portanto viajar fisicamente. Apanhar o comboio é aumentar o potencial de detecção de diferenças.
Os verdadeiros nómadas não se deslocam. O mundo à sua volta é quem se desloca.
Mas para isso é preciso ultrapassar o problema da diferença indetectável. No território conquistado e repetido, em casa, a diferença torna-se indiscernível. Noutro ambiente, em viagem, a diferença é tão grande que não é necessário esforço para reparar na diferença. Com a viagem, aumentam as diferenças. É preciso portanto viajar fisicamente. Apanhar o comboio é aumentar o potencial de detecção de diferenças.
A viagem começa onde acaba a diferença entre eu e o outro, entre o nós e o eles. A viagem começa na desfragmentação do eu, na sua integração com o outro, no ver pelos olhos dos outros, na experimentação do "Ser o Outro". Não é tédio mas é intermédio entre mim e o outro. Ser drogado sem droga, "ser sem ser, become". O viajar começa onde acaba o ser e começa o devir (o become). Devir oriental (arab), ou qualquer outra coisa. Esta é a linha de fuga entre o eu e o outro. Uma linha de voo claro. Uma linha de integração do "eu muçulmano, tu ocidental".
"A desterritorialização e a reterritorialização cruzam-se no duplo devir. Não se consegue já distinguir o autóctone do estrangeiro, porque o estrangeiro se torna autóctone na terra do outro que não o é, ao mesmo tempo que o autóctone se torna estrangeiro, em relação a si próprio...", Deleuze
O prazer da casa não está em estar em casa, está no chegar a casa, no voltar. Para isso é preciso sair. É preciso traçar linhas de fuga e depois voltar. As linhas de fuga a desterritorializar; desterritorializações que não existem sem reterritorializações, voltas a casa, mas principalmente, voltas a novas casas, ou então, voltas à mesma casa que já não é a primeira casa.
Até já.
Ah, 1 de Março, cidade do Cairo. Não sei quanto tempo. Aviões evitam-se. Egipto à Turquia. Kyrgyzstan até Beijing. Japão aos States. Ou se calhar volto para a semana. Ou se calhar o contrário. Ou tudo o que tu quiseres.
13 February 2010
Are you sick?
You feel unsociable and aimless. You don't feel that emotional lately.
DON'T WORRY. You have a very SIMPLE and UNCOMMON disorder (from ICD-10):
F20.6 Simple Schizophrenia
An uncommon disorder in which there is an insidious but progressive development of oddities of conduct, inability to meet the demands of society, and decline in total performance. Delusions and hallucinations are not evident, and the disorder is less obviously psychotic than the hebephrenic, paranoid, and catatonic subtypes of schizophrenia. The characteristic "negative" features of residual schizophrenia (e.g. blunting of affect, loss of volition) develop without being preceded by any overt psychotic symptoms. With increasing social impoverishment, vagrancy may ensue and the individual may then become self-absorbed, idle, and aimless.
DON'T WORRY. You have a very SIMPLE and UNCOMMON disorder (from ICD-10):
F20.6 Simple Schizophrenia
An uncommon disorder in which there is an insidious but progressive development of oddities of conduct, inability to meet the demands of society, and decline in total performance. Delusions and hallucinations are not evident, and the disorder is less obviously psychotic than the hebephrenic, paranoid, and catatonic subtypes of schizophrenia. The characteristic "negative" features of residual schizophrenia (e.g. blunting of affect, loss of volition) develop without being preceded by any overt psychotic symptoms. With increasing social impoverishment, vagrancy may ensue and the individual may then become self-absorbed, idle, and aimless.
12 February 2010
02 February 2010
The Postmodern Condition (Lyotard, 1979)
"Simplifying to the extreme, I define postmodern as incredulity toward metanarratives. This incredulity is undoubtedly a product of progress in the sciences: but that progress in turn presupposes it. To the obsolescence of the metanarrative apparatus of legitimation corresponds, most notably, the crisis of metaphysical philosophy and of the university institution which in the past relied on it. The narrative function is losing its functors, its great hero, its great dangers, its great voyages, its great goal. It is being dispersed in clouds of narrative language elements--narrative, but also denotative, prescriptive, descriptive, and so on [...] Where, after the metanarratives, can legitimacy reside?"
01 February 2010
Pasolini's Christmas
It will probably rank as one of most beatiful movies I have ever seen. The most beatiful scene is Christmas:
Pasolini says that the Gospel is one of the many books of religious propaganda that had been written.
Christ empowered the weak, Christ is the protector of the weak. Nietzsche is the anti-christ when he talks about the need for protection of the strong against the weak.
This is the Nietzschean warning: the weak are controlling you, you live in a world made by the weak for the weak. That is the world of Christ. Christ says: be weak and I will protect you.
Christ, as this movie shows as no other, is not humble, he is not weak, he is an incredibly strong and obstinate young man. A powerful christ protecting the weak. Warning the masses: "be weak and you will be protected!".
This is the Nietzschean warning: the weak are controlling you, you live in a world made by the weak for the weak. That is the world of Christ. Christ says: be weak and I will protect you.
Christ, as this movie shows as no other, is not humble, he is not weak, he is an incredibly strong and obstinate young man. A powerful christ protecting the weak. Warning the masses: "be weak and you will be protected!".
O pensar sente-se? (plasticidade)
O pensar sente-se? Sem olhos nem ouvidos, onde estou? Onde estão estas palavras antes de ditas ou escritas? Porque me sinto cá na cabeça? Hábito? Que sensores de sensibilidade me fazem sentir na cabeça? Tenho glândulas tácteis nos neurónios? O tilintar dos neurónios sente-se? Por dentro?
Se a pergunta de Heidegger é "O que é uma coisa?", a de Bergson é "O que é pensar?".
A aparente inocência com que estes gigantes chegam, em pleno século XX, a estas perguntas é apaixonante.
Filosofar é sempre começar tudo de novo. E é precisamente para isso que o nosso cérebro não está preparado: pobre suporte biológico em dificuldades.
Sempre gostei da palavra plasticidade: capacidade de mudar irreversivelmente de forma. É o que fazemos todos os dias: cérebro. Falta-nos a capacidade de voltar atrás, ao início, de limpar. Sempre partimos de alguma forma já existente.
Se a pergunta de Heidegger é "O que é uma coisa?", a de Bergson é "O que é pensar?".
A aparente inocência com que estes gigantes chegam, em pleno século XX, a estas perguntas é apaixonante.
Filosofar é sempre começar tudo de novo. E é precisamente para isso que o nosso cérebro não está preparado: pobre suporte biológico em dificuldades.
Sempre gostei da palavra plasticidade: capacidade de mudar irreversivelmente de forma. É o que fazemos todos os dias: cérebro. Falta-nos a capacidade de voltar atrás, ao início, de limpar. Sempre partimos de alguma forma já existente.
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